Em visita à Irlanda, o Papa tenta conquistar os católicos afastados por escândalos de pedofilia | Mundo | G1

Os visitantes fazem selfie junto à estátua de cera do Papa Francisco fora do Museu Nacional de Cera em Dublin, na Irlanda, na sexta-feira (24) (Foto: Ben Stansall/AFP)

A fraqueza da analítica no Grande Hotel Abismo é a maneira que o autor é preguiçoso com o fato de que, por exemplo, tanto Grossmann como Ele se torna envolvidos como agentes duplos em agências de espionagens nos EUA e na URSS; ou, então, com a triste constatação de que Theodor Adorno, apesar de alguns erros (tais como a recusa de aceitar o valor de jazz ou a relutância do tipo psicológico de “personalidade autoritária” poderia existir em um ambiente socialista), foi o mais lúcido de todos neste grupo heterogêneo e, por isso, ele morreu de desgosto quando você perceber que os alunos da revolta de 1968 foram semelhantes totalitário relatado no início de sua carreira. Estes avanços Jeffries mostrar que, se a Escola de Frankfurt não é o principal responsável pelo “marxismo cultural” (como ele é um dos argumentos pouco desenvolvida no curso do livro), sem dúvida, ajudou muito a falta de clareza moral que o inglês apresenta em suas páginas.

É o que acontece também na forma Como é Nascer de Novo, do professor brasileiro Marcos Nobre (no Entanto, de R$ 64,90, 341 págs), como resultado de sua tese de livre-docência, e uma leitura próxima a introdução da Fenomenologia do Espírito (traduzido por muito Nobre), e Hegel, o mesmo que escreveu com Hölderlin e Schelling um dos textos fundadores do idealismo alemão, em que cidade onde Adorno reclamou da burguesia, que realizou. O livro é um dos filhotes do método batizado por Paulo Arantes de “um departamento francês de ultramar” – e é superior, por exemplo, o tratamento dado por Vladimir Safatle sobre o mesmo assunto, em um estudo que, coincidentemente, tem um título igual ao do Stuart Jeffries. No entanto, apesar de ser impecável em termos técnicos, não é algo tão novo assim, em seu argumento filosófico. O nobre se pergunta se o prisma através do qual ele analisa a escrita de Hegel–, precisamente, a Teoria Crítica que fizeram a fama da Escola de Frankfurt – não seria contaminado pelo desespero de não entender as decisões que surgiram a partir dos impulsos produzidos na própria época, em que vive um pensador. No caso de Hegel, foi a Revolução francesa, a ascensão de Napoleão e a restauração monárquica. O que seria, no caso de Nobre? As revoltas no brasil 2013? A polarização ideológica que acontece no país desde então? Essas duas opções?

O professor diz que o impasse de aceitar a Teoria Crítica como uma forma de interpretação do mundo atual, especialmente com os trabalhos de Alex Honneth, implica uma alternativa para o lapso em que as propostas da Escola de Frankfurt, as notícias que surgiram no início do século 21, são muito abstratos, mas desatualizados para orientar tanto o processo de pensamento, como a ação transformadora”. Que o leitor não se engane quando você ler este último termo: o que o Nobre quer dizer que ele é “revolução” – fez com que o momentum jacobina mistura de igualdade e oportunidade, na consciência de que, hoje, e para sempre, isso é como tentar misturar água e óleo. A única diferença entre a Teoria Crítica do passado e a emergência de novas propostas por parte do brasil é que, antes de igualdade poderia ser conquistada com a subversão das instituições do Estado, agora o êxtase da destruição deve ser completa e irreversível, desde que, é claro, um bom professor universitário é o Paracleto espiritual.

No final de Como é Nascer de Novo, não se sabe se Marca Nobre se deve ou não interpretar esse papel – afinal, a perfeição técnica de seu raciocínio impede que tal decisão é que, na prática, seria realmente desesperada para ele e para o “homem comum de qualquer maneira”). É uma contradição intrínseca para quem pensa ao longo das linhas de uma Teoria Crítica, como Roger Scruton tem defendido, no Tolos, Fraudes, e Militantes (Record, R$ 54,90, trad. Alessandra Bonrruquer, 404 pgs.). De acordo com ele, a busca por uma “razão comunicativa” (o termo favorito de Jürgen Habermas) que amenize os problemas do mundo é, no fundo, uma “necessidade religiosa profundamente arraigados em nosso ser genérico”, um “desejo de pertencimento que nenhuma quantidade de pensamento racional, que não há evidência de absoluta solidão da humanidade ou da natureza irredimível nossos sentimentos podem erradicá-la”.

No entanto, Scruton viu apenas a metade do problema, bem como Adorno, Benjamin, Horkheimer, Marcos Nobre e uma vasta galeria de intelectuais. Na descrição exata de György Lukács (que foi, não gosta de salsichas, porque eles sempre sonhou com o benefício privado de Weil), eles preferem viver em um hotel, equipado com todo o conforto, na borda de um abismo, o vazio, o absurdo” – o mundo limpo, que nomeia a confusa biografia de Stuart Jeffries.

Neste escritório desapegado da vida real, não conseguem perceber que a raiz de todo o mal nunca foi o “sistema capitalista”, as “estruturas de dominação” ou “nosso” ser genérico, mas sim o que um francês do século 17, Blaise Pascal, chamado “o reino nefasto do auto-amor”, brilhantemente analisado por Andrei Venturini Martins em um livro de mesmo título (É Realizações, R$ 69,90, 351 págs.), um antídoto obrigatória para todos os que querem entender a origem da perversidade humana. Se você vivesse em nossos dias, Pascal diria, sem hesitar, que abrigar-se no Grande Hotel Abismo é um divertissement, um divertido para se proteger do infinito vazio que corrói por dentro. Ele nos impede de construir a mínima moralia (aliás, o título da obra de Theodor Adorno) que vai surgir uma novidade, sem a urgência de ações transformadoras. E, no final, os membros da Escola de Frankfurt e seus sucessores tupiniquins – fez foi nada mais e nada menos do que atender a um dos aforismos famoso Pascal. Esqueceram-se de que, sem a abertura ao transcendente, “a vida humana não passa de uma ilusão perpétua”, em que eram apenas “de uma fraude-e adular entre si”. É pouco para quem queria, com muitos erros e poucos acertos, “fazer novas todas as coisas”.

*Martim Vasques da Cunha é autor dos livros “Crise e Utopia – O Dilema de Thomas More’ (Ver Editorial, 2012), e “Pó da Glória – Um (Inesperado) História da Literatura Brasileira’ (Record, 2015); Pós-doutorando na FGV-EAESP

O papa Francisco chega neste sábado (25), em Dublin, para uma visita de apenas 36 horas, durante o Encontro mundial das famílias. Temas espinhosos, como os casos de pedofilia envolvendo religiosos na Irlanda, estão na ordem do dia da viagem, a primeira de um papa ao país em 40 anos.

Mesmo se não for longo, a visita do papa Francisco é muito simbólico. A irlanda é um país sobre o qual a igreja católica sempre teve grande influência. Mas a credibilidade da instituição tem sido afetada nos últimos anos por sucessivos escândalos de pedofilia, além da mudança nos costumes da população.

De acordo com o censo de 2016, 78% dos irlandeses são católicos. E uma boa parte da luta e da secessão da Irlanda na década de 1920, no Reino Unido, é devido ao fato de a Irlanda é maioritariamente católica e da Irlanda do Norte, é protestante.

Memórias da visita do Papa Francisco são vendidos em Dublin, na Irlanda, na sexta-feira (24) (Foto: Reuters/Clodagh Kilcoyne)

Mas desde o falecimento de João Paulo II, o último papa a visitar o país em 1979, três anos antes de ir para o Brasil, muita coisa mudou. Na época da viagem do papa polonês, a relevância da igreja católica na Irlanda, era inquestionável. Mas de lá para cá, as posições ultraconservadoras da igreja causou a instituição a perder o seu espaço.

Em 2015, a Irlanda adotou uma legislação que permite o casamento do mesmo sexo. Dois anos mais tarde, o país autorizou o aborto e eleito um primeiro-ministro gay, Leo Varadkar – quem vai receber o papa Francisco.

Gestão de casos de pedofilia

Outro aspecto que vai pesar na visita do papa Francisco é a gestão dos sucessivos casos de pedofilia envolvendo sacerdotes, muitas vezes protegidos pela comunidade clerical. Os ataques, que veio à tona no início dos anos 2000, teria envolvido pelo menos 14.500 menor. O próprio arcebispo de Dublin, reconheceu esta semana que a história recente da igreja na Irlanda, teve momentos de escuridão.

O Vaticano confirmou que o papa Francisco vai se encontrar, sem muito alarde, as vítimas de abuso sexual no país. Estão previstas seis discursos do papa durante a visita, o que significa que ele vai ter algumas oportunidades para resolver o problema, de acordo com fontes do próprio Vaticano.

Boneca do Papa Francisco à venda na loja em Dublin, Irlanda, no dia 22 de agosto (Foto: Brian Lawless/PA através da AP)

Tudo deve ser tratada com grande cautela por este papa, que ficou popular por suas habilidades diplomáticas. Ele vai estar na frente de cerca de 500 mil pessoas em massa gigante que está previsto para ocorrer no domingo o Phoenix Park, em Dublin, no que deve ser o evento mais importante da agenda do pontífice.

Protestos contra a igreja são planejadas

Dado este contexto de mudança de imagem da igreja católica na Irlanda, a chegada do sumo pontífice também será marcada por protestos, algo impensável durante a visita do papa João Paulo II, em 1979. Milhares de internautas estão pedindo um boicote da grande massa.

A campanha, que já conta com mais de nove mil torcedores, é chamado de “Dizer” não “ao papa”. A idéia é reservar bilhetes para o evento e não usá-los e, assim, promover uma manifestação pacífica e silenciosa. Os organizadores do protesto também estão chamando as pessoas para uma espécie de vigília em apoio às vítimas de abuso na igreja, ao mesmo tempo, como a missa de domingo.

Seja o primeiro a comentar

Faça um comentário