O livro narra a vida de personagens incomuns nas ruas de São Paulo

“Assim como o piloto só que não receberam ajuda, quem deita-se sobre o cimento de São Paulo depende muito mais de si do que dos outros.” No projeto de lei uma frase como essa, o leitor percebe que o Coração do Asfalto (tais como: patuá) é um livro com um pé na calçada do relatório e o outro na rua de literatura. A frase também se resume a ética de muitos dos personagens aqui retratados: pessoas solitárias, aos trancos e barrancos, foram encontrando seu lugar em São Paulo. Jornalistas e escritores, Bruna ” e André Cáceres transformaram seu amor pela cidade em pesquisa sobre a vida de pessoas anônimas que tocar a vida no meio do redemoinho que engole 22 milhões de pessoas. O asfalto não é uma mera metáfora: o livro traz histórias de pessoas transformadas pelas ruas, como veremos.

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São histórias como a de Antonio Silva, o coletor de ônibus que virou fotógrafo. “No início, tive uma crise de mim. “Eu fiz tanta coisa e eu estou aqui para o coletor, o dia inteiro sem fazer nada’. Hey… eu, colecionador? Então comecei a procurar alguma coisa para fazer. Sempre gostei de fotografia.” A viagem entre o Ipiranga, a Catedral, o Teatro Municipal. A Praça da República e a Avenida São João, continuou a registar-se na fotografia, os cartões-postais da cidade. Em 2004, ele comprou uma câmera Benq câmera de 1.3 megapixels de pagar 400 reais, o dobro de um salário mínimo, em dez prestações. Bateu uma foto de um assalto seguido de morte na rua Líbero Introdutório, enviou-o para um concurso e saiu vencedor. Em 2005, veio a primeira exposição no Sesc Ipiranga. A foto ficou o ceará, ficando mais e mais curioso e interessado em estudar. Dez anos após o primeiro clique, ele formou-se em pedagogia.

Existem seres fascinantes como o Rodrigo Machado, o zelador da cidade, o homem de quem presta atenção em coisas quebradas completamente ignorados pelos transeuntes- como um cano lascado do metrô Vila Mariana, que consertou com durepóxi. “Eu me senti muito feliz por ter corrigido esse tubo. Vou corrigir um quadrado inteiro.” Já tem paradas de ônibus, sinais de trânsito, brinquedos, e monumentos. Sem ninguém pedir ou não ganhar nada, o artista também usa o lixo que você encontrar nas ruas para criar suas obras, o que deixa em vias públicas, obras efêmeras chamado snap art. “Em todo o planeta, tudo está conectado. A gente é a mesma planta! Então eu acho que há um grande movimento nos centros urbanos de uma redescoberta da cidade como uma extensão da nossa casa.”

Ainda tem o Daiana Siqueira, um professor que virou feirante. “Meus amigos achavam que eu estava louco para trabalhar em dois períodos na escola e se casou com um feirante.” Especialista em alimentos orgânicos, ela coloca as placas com informações nutricionais sobre os alimentos, transformando-feira para a sala de aula. E, além da feira e a escola, Daiana também organiza expedições foto para descobrir a cidade. Uma característica interessante do livro é que cada história é contextualizada com os números e as informações sobre o ambiente investigado. Se na vida do coletor aparecem estatísticas sobre o tráfego e Rodrigo de dados sobre o lixo urbano, no perfil do Daiana aprendemos que apenas 0,4% da produção nacional é orgânica, que a tenda do professor é um entre os 12 mil que preencher a 857 feiras livres de SP, e 40% de html são mulheres.

Há também o escritor, que vende livros na calçada. Seguindo o caminho aberto pelo dramaturgo Plínio Marcos, um jovem Eduardo Lages vende em uma banquinha na rua o seu romance Querido James – a narrativa de um homem solitário, de 72 anos, que se sente esmagada pelo vazio de sua casa, mas que, forçado a abandonar a casa, é lançado em uma jornada de auto-descoberta. Vendeu mais de mil cópias em um ano de trabalho na rua, o livro foi para a segunda edição, e o autor já foi para o segundo livro.

Já o romântico Maída Novaes viu na rua, a possibilidade de criar o grupo Trovadores Urbanos. Um belo dia, quando Zélia Cardoso de Mello foi sequestrado todo seu dinheiro no famigerado Plano Collor, ela anunciou para o irmão, o músico: “eu estava sem dinheiro e eu vou fazer shows em São Paulo.” “Você está louco, certo?”, ele riu. “Você faz para mim?”, ela perguntou. “Sim”, respondeu o irmão. Anos mais tarde, com outros amigos da trupe, começou a usar roupas de época. Maída calcula ter feito mais de cem mil serenatas (dez por dia), dez mil conciliações, 800 concertos e quatro turnês internacionais. Bem como o perfil do escritor de rua e foi seguido por uma discussão sobre os hábitos de leitura do brasileiro, o perfil da trovadora é um lema para os jornalistas para discutir as lutas de artistas independentes para sobreviver.

A luta pela sobrevivência ecos na incrível história de Ravi Paschoa, ex-goleiro do Corinthians que, depois de perder um trabalho entre as quatro linhas, por causa de uma concussão, tinha que virar o driver do Uber, fornecendo o mote para o casal de jornalistas a entender como funciona a vida dos motoristas autônomos –e também dos jogadores de futebol que não ganha estratosféricos lucros de um Neymar da vida (99% dos casos). “A condução exige tanta concentração como jogar uma final de campeonato”, acredita o goleiro, que, depois de ter tomado um carrinho de vida, eu ainda estava sonhando na roda de um grande carro – neste caso, um Siena prata – enquanto não encontrar um trabalho em vigas.

Uma das histórias mais curioso é que de Seily Custódio, fundador dos orifícios de Ventilação: este é um psicólogo da rua. “Eu estou aqui para amar, cuidar, respeitar, ser para a pessoa tudo o que ela muitas vezes pode se encontrar em mais ninguém.” Ela colocou quatro touceiras, em uma esquina da avenida Paulista, uma pequena mesa e sobre ela um cartaz com a frase: “Quer desabafar?”. Como a ouvidora-geral em São Paulo, é adventista, o texto aproveita a deixa para discutir sobre a variedade de grupos religiosos, em São Paulo.

Já o ex-químico Claudio Bongiovani agora vende a revista Ocas nas ruas para superar uma onda de má sorte: depois de estar desempregado, em um acidente perdeu sua esposa e dois filhos – e caiu no alcoolismo. Seu caso é exemplar para o livro, persistente sobre a questão das pessoas em situação de rua – cerca de 15 mil pessoas, das quais 82% eram homens. Pode ser incrível, que a autoridade pública não tem competência ou de imaginação suficiente para resolver a vida de apenas 15 mil pessoas, uma massa que se encaixam no tobogã do estádio do Pacaembu. Com sua ampliação, bem-humorado e sutil, a dupla Bruna & André extratos de estatísticas da china indivíduos ímpar, lembrando-se de que o jornalismo é a arte de contar histórias – e jogar sobre números, o frio, o calor da humanidade.

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*Ronaldo Bressane é um escritor e jornalista, autor do romance ‘Cabeludo’ (publicado pela Escola), entre outros.

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